Edição, diagramação e revisão

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O projeto ‘Hotel Fischer: Fotografias e Memória’ foi desenvolvido por uma equipe de dez profissionais, que durante o período de dez meses trabalharam focados na concepção de um livro para registrar e apresentar a história do primeiro hotel de luxo de Balneário Camboriú, que hospedou figuras ilustres como o ex-Presidente Jango.

A primeira etapa do projeto consistiu em pesquisas de campo, entrevistas, coletas de dados no acervo da família Fischer e a digitalização desses documentos tão importantes para o processo de construção da história do Hotel Fischer. As fotografias foram impressas e passaram por análises histórica, arquitetônica e urbanística, de moda, estilo de vida e iconográfica.

Foram mais de 560 fotografias analisadas que passaram por uma seleção para a chegar a publicação final. Levou-se em conta na classificação de cada fotografia o conteúdo analisado e a composição das imagens. O conteúdo das análises foi revisado, editado com base nas imagens selecionadas e transformado nos textos publicados no livro, enquanto que as fotografias selecionadas passaram por um tratamento digital.

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Os textos finais foram elaborados pelo jornalista e professor da Universidade do Vale do Itajaí, Vinícius Batista de Oliveira. O projeto gráfico e a diagramação ficaram sob responsabilidade do designer gráfico Felipe Gallarza.

Depois de diagramada, a obra passou pela revisão de conteúdo geral feita pela equipe do projeto, pela Fundação Cultural de Balneário Camboriú e pelo ex-proprietário do hotel, Claudio Fischer, que teve acesso ao livro modelo antes de ser aprovado para a impressão. Os textos finais foram revisados pelo jornalista responsável, Vinicius B. de Oliveira.

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Análises e curadoria fotográfica

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Detalhe do mural criado com as fotografias relacionadas à história do Hotel Fischer. 

 

Todas as imagens digitalizadas do acervo fotográfico particular da família Fischer relacionado ao hotel foram impressas e disponibilizadas em forma de um mural, com cerca de 7,5 metros quadrados.

A junção de tantos fragmentos do passado criou uma espécie de portal que nos leva a um passeio imaginário, onde podemos ver o terreno do hotel ainda vazio, as etapas de sua  construção e ampliação, as instalações internas, os eventos e celebrações, os personagens e imaginar como era a vida que girava em torno do principal ponto de referência da Barra Sul.

Dentre vários temas que estão sendo analisados nas fotografias, já se destacam registros importantes como a evolução urbana da cidade, da moda e o estilo de vida da época, o uso da praia e do Rio Camboriú para fins econômicos e recreativos, distinções sociais, hábitos e aspectos culturais.

O arquivo particular da família Fischer relacionado ao hotel inicia antes mesmo do início das obras, quando a família trabalhava no Hotel Miramar e Terraço Boa vista. Em uma análise ainda superficial, estimamos as imagens que compõem este mural datam de 1930 aos anos 2000.

Estas fotografias são um grande exemplo de como um arquivo de família pode contribuir significativamente com a iconografia e estudos de um determinado local e sociedade.

A fotografia vem sendo cada vez mais utilizada como fonte, como objeto de análise e como recurso pedagógico, mas reunir imagens de um determinado período e apresentá-las como fiel retrato do passado é um procedimento defasado. Para responder perguntas nascidas do e no presente e endereçá-las ao passado, temos que abrir e intensificar diálogos multidisciplinares, além de explorar novas metodologias de pesquisa¹.

Como a fotografia não pode ser considerada um dado puro que fala por si só, a intenção desta instalação é justamente auxiliar a equipe com as análises técnicas, desenvolvimento dos textos e seleção das imagens que serão publicadas no livro, principal produto deste projeto.

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Fotos: Núcleo Catarinense de Fotografia.

¹ BORGES, Maria Eliza Linhares. História & Fotografia. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2011.

Digitalização concluída com livros de ouro

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Detalhe da capa de um dos livros de ouro do Hotel Fischer, utilizados pelos hóspedes para deixar recados aos proprietários do hotel. 

 

Quarta-feira passada, dia 20 de abril, concluímos a digitalização dos arquivos particulares da família Fischer. Nesta última etapa, todas as páginas dos três Livros de Ouro foram fotografadas e arquivadas digitalmente.

O Livro de Ouro era moda antigamente e quase todos os hotéis tinham um exemplar à disposição dos hóspedes, que preenchiam as páginas em branco com mensagens e ilustrações.

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Texto escrito em alemão ilustrado em aquarela, em 28/03/1969. 

 

No caso do Hotel Fischer, a maioria das mensagens exaltava a hospitalidade da família, a excelente estrutura do hotel, as belezas da praia de Camboriú e, num tom de saudade, os autores prometiam retornar em breve. Muitos também citavam que estavam hospedados para curtir a lua de mel.

As mensagens datam de 1957 à 1994, mas existe um queda na frequência em que elas foram produzidas, deixando claro que este costume foi caindo em desuso com o passar do tempo. Pouco antes da metade do terceiro livro, estão, lado a lado, uma mensagem deixada em 1973 e outra em 1994. O restante são apenas páginas em branco.

Vitor Ebel - Brasil 2016-8465Mensagem escrita no final da década de 1950, em alfabeto oriental.

 

Mensagens em línguas estrangeiras foram deixadas por hóspedes vindos da América do Norte, Europa e países orientais, revelando a abrangência e fama do hotel no exterior desde o final dos anos 1950.

Em meio a tantos recados, talvez o de maior importância histórica seja o que foi deixado pelo ex-Presidente da República, João Goulart. Jango costumava se hospedar no hotel com sua família, antes de construir sua própria casa de veraneio, onde hoje está o restaurante Lago da Sereia (Avenida Atlântica, esquina com a Rua 4600).

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 Recado escrito e assinado por João Goulart, em 22/10/1958: “Parabéns aos que tiveram a feliz iniciativa de construir o Hotel Fischer. Modelar na sua organização e no conforto que proporciona a todos aqueles que tem a ventura de aqui hospedar-se. Bastaria um “punhado” de “Hotel Fischer” espalhado pelas encantadoras praias brasileiras para que o turismo no nosso país se tornasse realidade”. Na fotografia que ilustra o texto, aparece o ex-presidente da república (à direita) com sua família nas dependências do hotel.

 

A digitalização do acervo particular da família Fischer relacionado ao hotel levou cerca de oito horas para ser concluída. Foram gerados mais de 1600 arquivos, que equivalem a 129 gigabytes de material digitalizado em alta qualidade.

Desde a primeira etapa da digitalização, estamos trabalhando no processamento e edição das fotografias, mas a partir de agora este processo será intensificado. De acordo com o cronograma do projeto, no mês de maio iniciam as análises técnicas e a curadoria das fotografias, etapas que devem ser concluídas até o final de julho.

IMG_8222  IMG_8252Processo de digitalização com fotografia, sendo acompanhado por Klaus e Claudio Fischer. Fotos: Gabriel Gallarza.

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Parte da equipe analisando os livros junto com Klaus Fischer (à esquerda), em seu apartamento. 

 

Confira mais alguns detalhes dos livros:

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Fevereiro de 1962.

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Outubro de 1962.

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Novembro de 1962.

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Fevereiro de 1963.

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Outubro de 1969, ano em que o homem foi à lua. 

Fotos: Vitor Ebel.

Digitalização: 2ª parte

Vitor Ebel - Brasil -3704Parte do acervo fotográfico da Família Fischer. A fotografia em primeiro plano mostra a recém inaugurada ampliação do hotel, construída durante os anos anos 1970, que oferecia quatro tipos de suítes: presidencial, nupcial, luxo e standard.  

 

No dia 29 de março demos continuidade à digitalização do acervo particular da Família Fischer. Foram mais três horas corridas de conversa com Klaus e Claudio Fischer sobre a história da família, do hotel e das cenas fotografadas, enquanto o acervo era digitalizado.

Ainda será necessário mais uma sessão para concluir a digitalização de todo o conteúdo, que nos ajuda a construir e compreender a história de Balneário Camboriú, município litorâneo de Santa Catarina, onde ficava o famoso empreendimento.

Paralelo a isto, estamos iniciando as análises e pré-seleção do material, que resultará em um livro contando a história do Hotel Fischer a partir de fotografias.

Vitor Ebel - Brasil -3709Em destaque, duas fases do hotel, antes e depois da ampliação das estruturas. 

Vitor Ebel - Brasil -3725No detalhe, fotografia feita nos fundos do terreno, registrando a evolução das obras do hotel, na década de 1950.

Vitor Ebel - Brasil -3701O Hotel Fischer na década de 1970. 

Vitor Ebel - Brasil -3719Mesa repleta com álbuns, fotografias e documentos digitalizados pela equipe.

Fotos: Vitor Ebel.

 

Digitalização: 1ª parte

Vitor Ebel - Brasil -2361  Vitor Ebel - Brasil -2364Souvenir fotográfico entregue aos hóspedes e amigos, na década de 1960.
Acervo: Família Fischer. 

 

Na manhã do dia 24 de março nossa equipe teve o privilégio de conhecer o acervo particular da Família Fischer. Fomos recebidos por Klaus e seu filho, Claudio, que administraram o hotel fundado por Adolfo Fischer, pai de Klaus.

Para nossa surpresa, o acervo superou todas as expectativas e encanta pela quantidade de informações iconográficas registradas e preservadas. Um verdadeiro tesouro engavetado, com fotografias, manuscritos, ilustrações e materiais publicitários que documentam a construção do hotel, a evolução urbana da cidade, a moda e estilo de vida da época, o uso da praia e do Rio Camboriú para fins econômicos e recreativos, enfim, uma quantidade enorme de informações que ainda estamos processando, mas que já podemos afirmar ser de extrema importância para a história de Balneário Camboriú, do estado de Santa Catarina e, nas devidas proporções, do país.

Antes de iniciar a análise e seleção do material, ouvimos um resumo da história de vida de Klaus Fischer e sua família, desde seu nascimento, na Alemanha, em 1929, até o encerramento das atividades do hotel, em 2009.

A cadência serena da narrativa, compassada pelas tragadas de cachimbo que liberavam um cheiro doce de tabaco no ar, contrasta com as dificuldades enfrentadas pela família ao longo da trajetória que inclui, por exemplo, a superação das consequências geradas pela Segunda Guerra Mundial, a travessia do Atlântico e as adaptações da família desprovida financeiramente em um novo país.

Nossa primeira conversa durou cerca de três horas corridas, pautada pelos detalhes e informações apresentadas nos documentos. Neste encontro inicial, conseguimos mensurar, mapear e começar a organização do acervo, que já foi parcialmente digitalizado. Estimamos que ainda serão necessárias cerca de duas a três visitas para concluir esta etapa de digitalização.

Vitor Ebel - Brasil -2328Klaus Fischer e Sergio Antonio Ulber.

Vitor Ebel - Brasil -2351Claudio Fischer e Gabriel Gallarza. 

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Klaus Fischer contando histórias através das fotografias. 

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Equipe ouvindo os relatos de Klaus Fischer. 

Fotos: Vitor Ebel.

O Hotel Fischer

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Hotel Fischer, década de 1960. Fonte: Arquivo Histórico de Balneário Camboriú.

 

O Hotel Fischer, inaugurado dia 15 de dezembro de 1957, é um dos empreendimentos mais famosos da história de Balneário Camboriú, considerado um marco da arquitetura, da hotelaria e do turismo a nível nacional.

Estes reconhecimentos surgiram graças ao pioneirismo e ousadia do alemão Adolfo Fischer (1903-1990), taxado de louco por ser visionário, conforme aponta um dos poucos relatos bibligráficos sobre a história do hotel: “Homem de visão, adquiriu uma extensa área de terra no canto sul da praia e ali construiu o famoso Hotel Fischer. Sua visão foi além das expectativas gerais, não faltando palpites que Fischer era um louco: construir um hotel de classe internacional num deserto como era o pontal”¹.

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Hotel Fischer, década de 1950. Fonte: Arquivo Histórico de Balneário Camboriú.

 

O Fischer foi primeiro hotel de luxo de Balneário Camboriú. Quando inaugurado, possuía quatro pavimentos, 26 quartos luxuosos, 18 apartamentos e suítes, algo “difícil de se encontrar até mesmo em Florianópolis”². Tinha capacidade para 108 hóspedes, servidos por dois refeitórios, sala de estar com lareira, terraço ao ar livre, auditório para crianças e serviço de bar. Foi o primeiro hotel de Balneário Camboriú a ter banheiro em todos os quartos. Sua inauguração foi um grande marco, sendo considerado pela imprensa como “um dos melhores hoteis de varaneio do sul do país”³. Ao longo de sua história, recebeu hóspedes de renome e importância internacional, como o ex-presidente da república, João Goulart (1919-1976).

O Hotel ficou em operação até 2009, fechando suas portas após 52 anos de funcionamento. Apesar de Balneário Camboriú ser uma cidade planejada, não houve um plano para estimular a preservação de alguns bens materiais de extrema importância para a história do município, como é o caso do Hotel Fischer. O fato de o empreendimento estar fechado, a falta de articulação de políticas públicas e as generosas ofertas de negócios proporcionadas pela construção civil são considerados os principais fatores que levaram à venda e, consequentemente, à demolição do Hotel, em 2012.

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Hotel Fischer, 2007. Foto: Gisele Castro Cardozo. Fonte: Arquivo Histórico de Balneário Camoboriú.

 

Hoje, a única forma de contemplarmos suas características arquitetônicas, entender sua importância histórica e a ousadia de Adolfo Fischer é através de imagens e dos relatos bibliográficos aleatórios sobre a história do Hotel.

Nos resta, portanto, construir e preservar esta história, que está intimamente ligada à de Balneário Camboriú, município que atualmente mantém boa parte de sua economia e identidade cultural sustentada pelo setor do turismo.

 

¹ CORRÊA, Isaque de Borba. História de duas cidades: Camboriú e Balneário Camboriú. Balneário Camboriú, Ed. do autor, 1985.

² Jornal “Página 3”. Dezembro de 1997. Arquivo Histórico de Balneário Camboriú.

³ Jornal “O Itajaí”. Dezembro de 1957. Arquivo Histórico de Balneário Camboriú.

O projeto

 

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Hotel Fischer na década de 1970. Fonte: Arquivo Histórico de Balneário Camboriú.

 

Mais do que reunir, restaurar e preservar documentos fotográficos relacionados ao Hotel Fischer, este projeto tem como principal finalidade a construção e preservação de sua história, destacando a contribuição do hotel para o desenvolvimento do “Balneário de Camboriú”, atual Balneário Camboriú. Como principal instrumento de trabalho, serão utilizados acervos fotográficos público e privados, em especial o da própria família Fischer.

O principal produto deste projeto é um livro contando a história do hotel a partir de fotografias. Esta obra será distribuída gratuitamente e ficará disponível para download gratuito neste blog. Os arquivos digitais de todas fotografias restauradas e publicadas no livro serão entregues ao Arquivo Histórico Municipal e à Família Fischer.

Desta forma, além de ampliar o acervo de documentos sobre a história do hotel e desenvolver textos atualizados sobre sua história e, consequentemente, da cidade de Balneário Camboriú, queremos contribuir com a preservação do patrimônio cultural municipal, construindo e preservando a história e memória do Hotel Fischer, que está intimamente ligada à da cidade.

A intenção de realizar esta construção histórica a partir de fotografias está além das dimensões plásticas das imagens, pois elas “nos colocam em contato com os sistemas de significação das sociedades, com suas formas de representação, com seus imaginários”¹.

Os documentos fotográficos possuem um importante papel na pesquisa histórica e preservação da memória, áreas que não podem abrir mão da análise dos sistemas de significação e representação social. Pode-se afirmar também que as fotografias são documentos visuais que nos ajudam a compreender (e interligar) o passado, o presente e até mesmo prognosticar o futuro de um determinado local ou sociedade.

Arquivos históricos, quando bem utilizados, podem contribuir significativamente com o desenvolvimento cultural e intelectual da comunidade. Mostrar isto na prática, despertar e incentivar o interesse sobre a história do município e conscientizar a população sobre a importância da preservação e valorização de documentos visuais também são objetivos que devem ser alcançados através do uso das fotografias.

Construir e preservar a história do Hotel Fischer é contribuir significativamente com a memória de Balneário Camboriú. Já que pouco pode ser feito com relação à preservação do bem material, nos resta concentrar esforços na construção, preservação e difusão desta memória.

A equipe responsável por este projeto é composta por:

Coordenação geral: Sergio Antonio Ulber
Análise histórica: Murilo Maluche Schaefer
Análise Patrimônio Arquitetônico e Urbanístico: Gabriel Gallarza
Análise moda e estilo de vida: Caroline Santos
Análise iconográfica: Sergio A. Ulber
Curadoria: Felipe Gallarza e Sergio A. Ulber
Digitalização: Vitor Ebel
Restauração e tratamento: Felipe Gallarza e Sergio A. Ulber
Jornalista: Vinícius B. de Oliveira
Designer Gráfico: Felipe Gallarza
Produtora Gráfica: Isabela Araújo Costa
Produtora Audiovisual: Eagles Shoot Creative Films

Referências:
¹ BORGES, Maria Eliza Linhares. História & Fotografia. Belo Horizonte, Ed. Autêntica, 2011.